. À espera
. Quando menos eu esperava....
. 120 anos
Estou cansada… Não aprendo com o passado ou, simplesmente, não tenho solução. Dizem-me que isto também lhes acontece. Que somos assim.
Bem, estou cansada de nada dar certo; de sonhar; de ficar à espera; de me desiludir. Estou cansada de tudo. Só me apetece esconder, fugir disto tudo e esperar que alguma coisa mude: eu ou tudo o resto.
Sou uma palerma! Sempre a arrastar-me pelos cantos. Sempre a curar as minhas próprias feridas e a tentar memorizar onde estão os obstáculos. Sempre sem sucesso; sempre a cair nos mesmos buracos; sempre a esbarrar nas mesmas paredes. Não passo disto.
Apetece-me mandar tudo dar uma pequena volta. Deixem-me em paz! Deixem-me ficar sozinha, chateada comigo e com todos! Deixem-me quieta no meu canto!
Por que razão mexem comigo?! Eu não presto para nada! Nem para conversar sirvo!
Se eu tivesse uma rede que me amparasse a queda e se ninguém soubesse desse insucesso, tudo seria mais fácil. Deixaria de ter dúvidas. Poderia estar melhor do que agora. Poderia estar pior. Mas, pelo menos, saberia. Que medo é este que me impede de andar?!
Estou a tentar concentrar-me na leitura de um artigo mas não consigo. Não sei o que me deu hoje… Talvez saiba…
Um sonho é capaz de mudar a forma como nos sentimos. É capaz de me deixar ainda mais frustada, mais ansiosa. E, depois, na busca de alguma coisa que me acalme, basta umas palavras escritas para a esperança voltar a crescer. Como a nossa mente consegue ser, ridículamente, manipulada! O mais estúpido nisto tudo é o facto de eu estar consciente desta manipulação!
http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?me
Não é a primeira vez que faço isto. Estou cansada de não aproveitar os momentos e de andar atrás deles depois de já terem passado. Como posso andar sempre cheia de medo?! Não vivo. Não aproveito. E não sou, plenamente, feliz. Sou uma palerma! Mas uma palerma racional, porque se não o fosse, seria surpreendida mais vezes e não me doeriam as costas do peso da desilusão que carrego de tempos em tempos.
Não sei como não pensar. Já pensei em não pensar. É difícil. Sou assim!
Se o problema fosse só este, até aguentaria. Mas, para ajudar à festa, há ainda a mania que tenho de idealizar as pessoas. Essa pessoa que só conheci por uns momentos e que não despertou em mim nenhum outro sentimento para além da simpatia e da amizade, tem-me deixado, impaciente, à espera da resposta aos e-mails. Tudo porque, agora que está longe e que não posso ver os seus defeitos, posso fazer dela a imagem que eu quero. Posso prever o que “a pessoa idealizada” me vai responder. E depois, claro, a resposta vem diferente e eu sinto-me mais pequena.
Para não fugir à regra, acrescento outro problema, que talvez seja o pior de todos. Não sou capaz de enfrentar as pessoas nos olhos. Medo de reprovação. Medo do “NÃO”! Se o fizesse, seria mais fácil compreender o que realmente os outros estão a sentir e não estaria agora a tentar ler as entrelinhas dos e-mails que recebo nem a descodificar atitudes e frases que, quem sabe, estão a ser manipuladas pelo meu subconsciente sempre que me lembro delas.
Eu consigo explicar tudo isto: o facto de me sentir sozinha faz com que tente encontrar numa pessoa que me deu atenção (do meu ponto de vista, uma atenção especial) a pessoal ideal. Claro que o que idealizo não sai igual ao original e lá vem a desilusão seguida do esclarecimento que acabei de escrever na frase anterior. Mas, quando a ilusão começa a passar (e passa rapidamente), a tristeza vem, porque fiz mais uma vez a mesma coisa: criei um deus e, de repente, tornei-me agnóstica!
Já há muito se diz : "Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé!". Tenho de começar a pensar no que é preciso para ter tudo pronto quando chegar a hora. A montanha vai levantar vôo!
Muitas vezes me disseram: "- Quando menos esperares, as coisas acontecem". Sempre pensei que era só para me acalmarem e para não me deixarem perder a esperança. Mas o certo é que tinham razão! Quando a esperança já estava perdida, o assunto esquecido e quando já estava a reprogramar o futuro mais próximo, eis que tenho uma surpresa: ELE VEM CÁ!
Há duas lições que posso tirar do que aconteceu: a primeira é que ter bom comportamento compensa; a segunda é que quando menos esperamos, as coisas, realmente, acontecem!
Estava do prefácio do novo livro. Do nada surgiu-me uma ideia para escrever. No Domingo, reparei num cartaz que anunciava a comemoração, no dia 23 deste mês, dos 120 anos do nascimento do Padre Américo. É hoje!
O Padre Américo foi o fundador da Casa do Gaiato. Já falei sobre isto anteriormente e peço, a quem estiver interessado, o favor de ler o post nesta ligação http://oqueelemedisse.blogs.sapo.pt/1358.h